Infertilidade e Adoção

Por Fernanda Menezes, blogueira do Litoral na Rede

Quem quer ser mãe, é mãe: Vou começar esse post já avisando que terá textão, mas para uma história que vale ler mil vezes cada linha escrita. E também já vou avisando, que para quem esperava apenas receita de biscoitos, lascou-se. Trocaremos receitas sim, mas iremos debater assuntos sérios, compartilhar histórias, trocar experiências, discutir relações, falar sobre assuntos importantes da maternidade e no final de cada publicação ter a certeza de que não estamos sozinhas nesse mundo e em suas lutas.

A história que será contada logo abaixo não é minha, mas poderia ser. É de uma conhecida muito querida. Vocês vão olhar a adoção com olhos da Greice Bauer, uma super amiga do meu irmão, com quem eu convivo desde a adolescência. Ela resolveu escrever o seu relato em suas redes sociais para que algumas mães, assim como ela, assimilassem apenas uma frase sobre a maternidade: quem quer ser mãe, é mãe. É, é exatamente assim, quem quer ser mãe, simplesmente é mãe. Seja do coração ou da barriga. Mãe é mãe.

Greice, sem palavras por poder compartilhar teu relato. Obrigada de coração. Quero te dizer que tu és admirável, como profissional, amiga, mulher e mãe. Deveríamos ter mais pessoas como tu, que não escondem a dor, que buscam em outras histórias e relatos força para recomeçar e que tem o amor e a fé como base de tudo! Obrigada!

Infertilidade e Adoção

Já vou me explicando logo de cara que não acredito que adoção seja método para tratar infertilidade, não, definitivamente não. E também não é prêmio de consolação, é muito além disso. O que me fez decidir escrever esse texto, foi por uma frase que eu ouvi no momento mais difícil da minha vida: quem quer ser mãe, é mãe. Então, resolvi deixar meu recadinho para quem assim como eu, talvez precise assimilar essa frase também.

A adoção sempre foi vista com muito carinho por mim, nunca foi um tabu, sempre pensava em um dia seguir esse caminho na formação da minha família, mas confesso que esse assunto é muito leve até que descobrimos que a infertilidade faz parte da nossa história. Quando esse momento acontece, a adoção se torna real e precisa ser avaliada e discutida de forma madura, e foi isso que aconteceu conosco.

Voltando a frase que eu ouvi, quem quer ser mãe, é mãe, ela foi exclamada por uma psicóloga poucos dias depois de ter perdido meu primeiro filho e meu útero. Eu nem sabia muito bem ainda naquele momento se eu queria continuar viva, imagina ser mãe de alguém. Mas aos poucos essa frase foi tomando meu coração e entendi o peso que ela tinha. Sim, se a minha vontade era realmente ser mãe, precisava entender quais eram as minhas opções.

Bem, o útero de substituição (barriga de aluguel), por uma questão pessoal, nunca foi uma possibilidade para mim, sabia que essa era uma opção viável, mas não me identificava com ela, então já foi logo descartado.

A opção restante era a adoção, lembrem que eu falei que sempre pensei com carinho no assunto, pois bem, agora o assunto é sério, afinal de contas ter um filho é uma coisa muito séria. Eu não topo entrar em jogo algum sem conhecer as regras, então fui logo tratando de saber TUDO sobre a adoção. Li dezenas de blogs, livros, frequentei grupo, conversei com quem adotou, quem foi adotado, li e reli tudo de novo e mais uma vez. Até que junto com o meu marido entendemos que essa seria a forma de seguir com a nossa família.

O pré-natal da adoção não é em um consultório médico todo lindo, de cor rosa e azul bebê, também não somos mimadas como toda e qualquer gestante. Muito menos ganhamos presentinhos e tapinhas nas costas nos parabenizando. Se esse for o seu objetivo, sério, volte 3 casas e siga outro caminho, talvez a adoção não seja para você e não tem mal nenhum nisso, é hora de ser maduro e assumir o que estamos ou não dispostos a enfrentar. Mais uma vez, como eu sabia que o que eu queria mesmo era ser mãe, e não me importava em ser ou não mimada em uma gestação ou coisa parecida, segui com papelada rumo a habilitação para adoção.

Tudo pronto, depois de alguns meses, habilitados para adotar e agora é “só” aguardar o telefone tocar com a notícia mágica: podem vir buscar o filho de vocês. E… final feliz! Só que não.

Nesse meio tempo entre o “habilitados”, que pode ser considerado o positivo para gravidez e o “telefone tocar” que é o parto, não são apenas 9 meses e muita coisa acontece. A vida segue, vem os filhos pet, o trabalho, chove, faz calor, você chora, decide que nem quer mais ter filho, os amigos tem filhos, depois outros filhos, você decide que quer ter filho novamente, mais um ano de casado, mais dois, mais três e você já nem sabe mais se um dia essa ligação vai realmente acontecer. E você não arruma o quartinho, não compra roupinhas, não sabe se quer ou não ficar perto de crianças, por vezes você até pensa que você deve ser de muita falta de sorte mesmo, e que o Papai do Céu deve estar de sacanagem.

Ah, lembrem que eu disse que não entro para o jogo sem saber das regras, aí voltei para as regras, li e reli mais ou pouco e entendi que o processo é assim mesmo, que o objetivo é encontrar pais para crianças e não crianças para pais desesperados, entendem a diferença?! Isso me ajudou, consegui racionalizar, entender o funcionamento das casas de passagem, pensar sobre adoção tardia, rever perfil, ok, mas o telefone ainda não tocou.

E daí um dia, um dia qualquer, quando você até achava que nem queria mais, que a vida estava boa assim no esquema trabalho, “cinema, clube e televisão”, o telefone toca e aquele monte de incertezas desaparecem e dão lugar a maior certeza da vida: eu só quero ser mãe dessa criança.

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