A “Santinha” do calçadão

Por Vera Renner, blogueira do Litoral na Rede

Para os praieiros o mar é sempre o destino, movimentado, “de lua” e indomável, chova ou faça sol, tem seu fã clube garantido durante todo o ano, mesmo quando se torna perigoso um simples banho de mar. Ele tem muitas companhias em sua orla e a mais famosa é a Praça Iemanjá que dá abrigo ao monumento que homenageia a Santinha em plena beira do mar, por onde passam muitas pessoas todos os dias.

A Rainha do Mar está de costas para o horizonte marítimo porque a intenção é lançar o seu olhar para quem por ali vier fazer uma homenagem, uma reza, encher o coração de esperança, deixar que ela assuma dali para frente à proteção divina. No alto, protegida do clima do litoral norte que sabe ser feroz nas quatro estações, também proporciona certa calma a quem for lhe depositar oferendas, flores, agradecimentos pela graça alcançada e o mais de devoção que houver.

A força da santa se encontra nas águas da natureza que devolve as oferendas nas graças solicitadas como se houvesse ali um capricho divino. Diz a lenda que ela, caprichosa, leva para o fundo do mar todas as aflições, tristezas e problemas que são colocados aos seus pés. Peregrinar por ali acaba encorpando os fiapos de esperança por um mundo melhor, mais justo e mais tranquilo.

Para os pescadores e suas famílias a prece ronda para receber a abundância do alimento que dever ser trazido nas redes pesqueiras e, enquanto o patriarca se lança nas ondas bravias os pedidos de sucesso na empreitada se proliferam. Alimento e bom retorno estão na mira da Santa e se cumpre.

A Deusa Divina mantem sob seu controle a natureza das águas em sua fase lunar exibindo quase sempre a mudança necessária em todos os aspectos da vida, provendo então a compaixão, o perdão e o amor incondicional. Percebeu Iemanjá em sua trajetória que quanto mais ela ofertava mais recebia, consolidando um ensinamento muito antigo: “é dando que se recebe”.

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