Ambulantes

E assim vai se contornando o tempo quente de soldar os pés, de fritar os miolos, do despir-se sem pudor, do rir-se por nada, do beber além da conta, de alargar o cinto assim como preferir aquelas roupas do fundo do armário de verão, que aguardam vicejar no sol pela milésima vez. As novidades vêm alcançadas pelo interesse em rever as rotinas do litoral norte retomar seu valor.

Na beira do mar, toda a fauna que deitou e rolou donos do pedaço até agora se evadiu para os cômoros ou bem longe no fundo do mar. Os inquilinos de agora se apegam a toda sorte de comercio empurrando seus carrinhos lotados de bugigangas, os apitos com sonoridade estridente acordam os bêbados da noite anterior e a gritaria das crianças torna mais agudo o caos.

O arrasta pé de mercadorias consome o tempo e o olhar dos veranistas que se atraem como se fosse por mandinga, e não desgrudam das opções que se apresentam multicoloridas, com muitas texturas de linhas e fios, todos ali dispostos para que todos os contornos corporais possam usufruir.

Deste jeito maroto o guarda roupas com os modelitos surrados vão dando lugar a vestidos mais curtos que normalmente se usaria, saídas de praia artesanais que mãos habilidosas trançaram tantos pontos vazados que não escondem nada do manequim e muito menos estanca o frio e o vento. O festival de vestidos mais longos e a variedade de estampas deixam tontas as mulheres que não conseguem manter a abstinência do consumo por nada no mundo, parecendo, de repente, que toda a indumentária praiana se reúne na carroça dos ambulantes.

E na carroça mais a frente outro suarento apresenta um cem número de biquínis, de cangas, de chapéus, de óculos e o que mais necessitar. A orgia da beira da praia passa sempre por estes corajosos que empurram com a barriga mais um verão ambulante.

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