Anvisa garante que medição de temperatura na testa não oferece riscos à saúde

Segundo a Agência, informação divulgada nos últimos dias sobre danos causados por termômetros infravermelhos é falsa

Foto: Ivan de Andrade / Prefeitura Municipal de Imbé

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) garantiu que a medição de temperatura por termômetro infravermelho direcionado à testa é inofensiva ao ser humano. O órgão informa, ainda, que esses produtos não emitem radiação, somente captam o calor emitido pelo corpo humano na forma de radiação infravermelha.

A nota de esclarecimento foi publicada nessa segunda-feira (14) após uma série de questionamentos sobre a segurança da medição de temperatura na testa. A Anvisa afirma que é falsa a notícia de que o uso de termômetros infravermelhos direcionados para a testa pode fazer mal à saúde, em especial à região da glândula pineal. “A glândula tem função de produção e regulação de hormônios e fica localizada próximo ao tálamo e hipotálamo, na parte mais central do cérebro”, informa o texto.

A Gerência de Tecnologia em Equipamentos (GQUIP) da Gerência-Geral em Tecnologia de Produtos para Saúde (GGTPS) da Anvisa preparou um material para esclarecer a população sobre o assunto.  Veja a seguir.

Termômetros infravermelhos

A radiação infravermelha é um tipo de luz, num espectro que não é visível ao ser humano, emitido por todo corpo quente. Os termômetros infravermelhos, destes usados para medição de temperatura corporal em avaliação clínica médica de pacientes ou para triagem de pessoas em estabelecimentos comerciais, usa um sensor passivo para detectar a radiação infravermelha emitida pelo calor do corpo. O termômetro não emite radiação, ele somente detecta a radiação emitida pelo corpo, daí ser usada a expressão “sensor passivo”.

Muitos termômetros possuem um laser-guia, que não faz a medição da temperatura, servindo somente para indicar o local onde está sendo feita a medição, evitando erros na leitura. A luz emitida por esse laser se encontra no espectro visível, sendo usada a luz vermelha de baixa intensidade. Essa luz também não possui poder de penetração na pele, sendo, em parte refletida, tornando visível o ponto vermelho que indica o local da medição. Uma pequena parte da luz é absorvida, se tornando calor.

Devido à baixa intensidade do laser, esse calor absorvido não é suficiente para causar sensação de aquecimento no local ou alterar a temperatura medida pelo termômetro.

Comercialização

Todos os termômetros infravermelhos usados clinicamente em hospitais e estabelecimentos de saúde devem ser submetidos à Anvisa antes de terem sua comercialização aprovada em território nacional. Durante esta submissão, o fabricante comprova a segurança e a eficácia do produto. Dessa forma, a Agência só libera a comercialização de termômetros capazes de medir a temperatura de forma correta e com segurança para a população.

De forma extraordinária e temporária, foi publicada a Resolução da Anvisa RDC 356/2020, alterada pela RDC 379/2020, que permitiu a importação de produtos prioritários para combate ao COVID19 (incluindo os termômetros de luz infravermelha), sem registro na ANVISA, desde que tenham registro e sejam comercializados num dos países membros do International Medical Device Regulators Fórum-IMDRF (Europa, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Japão, Singapura, Rússia, Coréia do Sul e China).

Os equipamentos utilizados para medir a temperatura corporal com finalidade exclusiva para triagem de pessoas em ambientes públicos, sem indicação para fins de diagnóstico médico, não são considerados produtos para saúde, nos termos da RDC 185/2001. Por isso, não precisam de aprovação da Anvisa para sua utilização. Sendo assim, não necessitam da autorização para fins de importação, fabricação e comercialização no país, conforme a Lei 6.360/1976.

Alguns exemplos de dispositivos para triagem são: câmeras termográficas/câmeras térmicas, estação de triagem, entre outros. Estes equipamentos, mesmo não tendo sua eficácia avaliada pela Anvisa, são seguros para uso em triagem de pessoas em estabelecimentos comerciais.

A norma técnica usada em território nacional estabelece as condições de calibração e uso dos termômetros clínicos infravermelhos, sendo a região da testa o local indicado para garantir a precisão da medida. O uso do termômetro infravermelho para medir a temperatura corporal em outra parte do corpo pode levar a erro de leitura, a não ser que tal procedimento esteja explícito no manual do produto.

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