As fantasias do Carnaval

Por VERA RENNER, blogueira do Litoral na Rede

Está mais difícil escolher o personagem que vai encarar dias em que a ordem modifica-se, em que existe um decreto confesso para sorrir mesmo sem achar graça, em que a indumentária trai o vestir-se, que pareça fazer parte do todo, que o canto saia do tom fingindo que manda um recado, que os grupos se proliferem e que todo mundo necessite ser outro de qualquer maneira.

Ao invés de olhar para a festa seria de bom tom que se tivesse apenas um único olhar para dentro de si com o intuito de descobrir onde estão os personagens que se tornam reis por tão poucos dias. Quem sabe com uma vista bem enviesada encontremos nos recônditos da nossa alma as figuras emblemáticas que lideram a vida de tantos em tão pouco tempo e com tanta intensidade. Quem sabe poderemos descobrir perfis interessantes que no vai da valsa do mundo moderno de certa forma desapareceram, ou se tornaram fingidos de si mesmos.

As alegorias tradicionais desta festa podem se revelar através do Rei Momo de cada um porque vivemos tempos tão difíceis onde tudo se resolve no mais ou menos, a governabilidade da vida anda a beira do caos e por este motivo temos que estar com o sorriso eterno nos lábios e atentos aos movimentos incertos do entorno. Na mão, a chave dos dias. É por pouco.

Alguns poderão examinar o fundo deste baú e encontrar aquele ímpeto da fanfarra e do cinismo que esta sempre à espreita e o Arlequim de todos nós tomar corpo. As mulheres que tomem tento porque vai passar o pólen da futilidade, da graça e da esperteza bem por perto e seria um bom conselho não se deixar levar por aí portando a Colombina como preferência. Os homens que ainda possuem uma réstia de dignidade e sentimentalismo deverão dobrar o cuidado nas esquinas da folia para não deixar que tudo corra solto e tornem-se um Pierrô abandonado. Melhor aprender a divertir-se com a imaginação e pitadas da história que vai sempre além da brincadeira.

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