Barômetro em baixa

Por VERA RENNER, blogueira do Litoral na Rede

Imagem meramente ilustrativa

Estava tudo programado, como acontece em todos os verões, a casa de praia esperando, a vizinhança a postos para tantas reuniões quantas couberem no calendário, o mar de chocolatão para verde “caribe” de uma hora para outra, o vento se escondendo atrás dos cômoros porque sentiu que não era bem vindo por ali e a beira da praia lotada com quantos guarda-sóis pudesse abarcar. Tudo acompanhado da “entourage” que costuma existir nas praias do litoral norte. Tudo normal a não ser por um detalhe que foge à compreensão de todo praieiro de carteirinha. O clima.

E assim se inicia o desmonte de carregar tralha sobre tralha para a beira da praia porque o barômetro está de péssimo humor e não deixa que a tal linha mercurial vermelha se eleve a ponto de fazer aquele calorão senegalês que demande banho de mar. Então é aquilo: mar limpo e gelado. Melhor voltar e molhar as papilas no refrescante trago que vai variando conforme a preferência. Então, refresco apenas garganta abaixo, porque brincar nas ondas do mar, somente as crianças. E talvez os velhos. Vai saber.

E é deste modo que, assim como se vai arrastando os chinelos até a beira do mar para ter a certeza que a praia não convida apenas refuta, que os bandos dão a meia volta ao lar-doce-lar. E a partir de então que se inicia uma nova trajetória nos lares litorâneos por ocasião. Esparrama-se entre os canteiros toda a sorte de traquitana que vai encantar a petizada, desde pequenas piscinas de plástico até as maiores que inclusive os grandões se jogam. Bom, gosto é gosto.

O fenômeno climático que atua como o grande traidor dos veranistas, parece, às vezes, estar negociando com o comércio, seja ele de grande ou pequeno porte. Assim qualquer picada de esquina, ambulante, verdureiro de caminhão, vendedor de picolé, marqueteiro de bistrôs se jogam na oferta de tudo o que se pode imaginar de consumo, muitas vezes em alto e bom som, bem na horinha do ronco da família. Parece-me – eu juro – que no tempo de verão a cartilha do nutricionista, do médico e do “coach” são queimadas no carvão do churrasco, acompanhada por risadas etílicas.

E é deste jeito interessante que o povo gaúcho se divide. Os que amam o verão para recolher da natureza toda a saúde e bem estar que ela oferece de graça, faça chuva ou sol e a galera do pé na jaca que aproveita a folga para ter assunto depois com seus cuidadores.

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