Conheça a rotina dos guarda-vidas que trabalham em um dos pontos mais perigosos do Litoral Norte

No primeiro dia de 2019 eles salvaram a vida de dois jovens na Barra do Rio Tramandaí

O soldado da Brigada Militar de São Leopoldo Vilson Kazinski trabalha há 15 anos na guarita 137 em Imbé durante a Operação Verão. Há três, o professor de natação, surfista e morador da cidade, Ricardo Beskow da Costa, divide com ele a responsabilidade de preservar vidas em um dos pontos mais perigosos do Litoral Norte: a Barra do Rio Tramandaí.

No local, que é impróprio para banho, a rotina dos dois guarda-vidas, um militar e o outro civil, é prevenir, alertar e evitar que banhistas se arrisquem na travessia da barra entre Imbé e Tramandaí. Apenas na manhã do primeiro dia do ano eles realizaram 140 ações preventivas, ou seja, evitaram que pessoas sem conhecimento dos riscos do local entrassem na água.

Naquele dia 1º de janeiro, eles começaram a trabalhar mais cedo do que o normal, por volta das 6h, devido a grande movimentação da festa da virada. “Nós passamos boa parte do tempo dentro da água apitando para as pessoas”, lembrou Ricardo. O trabalho deu resultado. Até às 11h não foi preciso realizar nenhum salvamento.

No fim da manhã, no entanto, dois jovens de 21 anos, entraram no Rio Tramandaí pelo Guia Corrente em Imbé para fazer a travessia. Quando os avistaram, já na água, sendo arrastados pela correnteza para o mar, os guarda-vidas entraram em ação. “Logo vi que um deles pediu socorro e entramos na água”, contou o soldado Kazinski.

O salvamento foi muito rápido, durou entre 2 e 3 minutos. Pessoas que estavam na areia registraram a ação dos guardas-vidas em vídeo (veja abaixo). O resgate de uma das vítimas foi mais complicado. “Ele já estava começando a submergir, relatou que não tinha forças para segurar a boia e que não sentia o corpo”, disse o guarda-vidas civil.

Ele usou a técnica de colocar a vítima de lado e a manteve segura até que recuperasse a força e conseguisse segurar na boia. Outro jovem, apesar de não ter conseguido vencer a correnteza, conseguiu segurar o equipamento levado pelo militar. Os dois banhistas, que são de Cachoeirinha, na Grande Porto Alegre, foram retirados da água e passam bem.

“Eu não contei quantas pessoas eu salvei, mas sei quantas eu perdi”

Em uma década e meia trabalhando como guarda-vidas na Barra do Rio Tramandaí, o soldado Vilson Kazinski, perdeu a conta de quantos salvamentos realizou no local que é impróprio para banho, onde muitas pessoas se arriscam. Nesse período ele viu três pessoas morrerem por afogamento no local. “Eu não contei quantas pessoas eu salvei, mas sei quantas perdi”, disse o policial militar ao Litoral na Rede.

Kazinski alerta que as correntes neste ponto em que o mar encontra o rio mudam muito rapidamente. “Em duas horas pode mudar a maré e isso significa risco para as pessoas”, alertou. A recomendação é não arriscar neste ponto.

Veja o vídeo abaixo

 

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