“É muito triste ver pessoas lutando pra viver em uma UTI e outras não dando valor à vida”, diz mulher que deu à luz intubada em Tramandaí

Em entrevista exclusiva ao Litoral na Rede, pedagoga de 30 anos, moradora de Cidreira, contou sobre os 18 dias que ficou hospitalizada por complicações da Covid-19, a emoção de voltar pra casa e a espera pela filha que nasceu prematura e ainda está na UTI neonatal

Josiane após sair da ventilação mecânica, ela superou a Covid-19. Foto: Arquivo pessoal

A pedagoga Josiane da Cunha Ferreira, 30 anos, venceu à Covid-19 depois de uma batalha de 18 dias no Hospital de Tramandaí. Ela estava grávida de 31 semanas quando foi internada por complicações da infecção pelo coronavírus. Precisou ser intubada para dar á luz à filha Ester, que nasceu prematura e ainda está na unidade neonatal.

A moradora de Cidreira foi diagnosticada com a doença no dia 2 de março, mas os sintomas se agravaram e, nove dias depois, precisou ser hospitalizada. Ficou quatro dias na emergência porque não havia leito de UTI disponível. Apenas no dia 15 de março houve a transferência para a unidade de tratamento intensivo, no dia seguinte foi intubada e utilizando ventilação mecânica, em 17 de março, teve a bebê em uma cesariana.

“Os momentos mais difíceis que eu lembro foram antes de ir para UTI, onde estava na emergência, com muita febre e falta de ar. Febre que não baixava devido à pouca opção de medicamentos por estar com minha Ester na barriga”, disse Josiane, em entrevista ao Litoral na Rede.

Após sete dias em ventilação mecânica, a pedagoga teve os tubos retirados e saiu da sedação. Foi quando soube que Ester havia nascido com 42 centímetros e 1,368 Kg e que a bebê não foi contaminada pelo vírus.  “Quando acordei do tubo tinha muita vontade de ver a todos, meu filho Emanuel, de 7 anos, meu esposo e todas as outras pessoas”, recordou.

Depois de sair da ventilação mecânica, Josiane ficou mais seis dias na UTI, antes de receber alta.  E desse período, levou como boas lembranças o carinho dos profissionais que a assistiram no Hospital de Tramandaí.

“Recebi tanto amor de todos os profissionais que me cuidaram, fui tão amada, que os dias passaram e logo ganhei alta. Agradeço a Deus pela vida de cada um, todos os profissionais são anjos que Deus colocou naquele lugar pra cuidar e me dar amor. Tenho a dizer o que disse lá dentro: Não desistam! Vocês são anjos de Deus! As pessoas precisam de vocês!”, disse.

Pedagoga fez questão de agradecer o carinho da equipe do Hospital. Foto: Arquivo pessoal

Mas o tempo em que esteve na UTI também causou tristeza e a pedagoga viu de perto pessoas que não tiveram a mesma sorte que ela e perderam a luta contra o vírus.

“Aqueles que ainda não se cuidam, infelizmente, que parem e pensem. Eu vi muita gente morrer, muita gente lá dentro saindo da cama do hospital e indo pro saco preto. Pode ser você ou um de sua família. Acordem! É muito triste ver pessoas lutando pra viver em uma UTI e outras não dando valor a vida”, alertou.

Angústia e oração

Enquanto Josiane estava no hospital, familiares e amigos viveram dias de angústia e esperança. Ela e o marido frequentam a Igreja Cruzada Pentecostal Brasileira, em Cidreira, onde moram com o filho Emanuel. Parentes, que vivem em Tramandaí, integram a Igreja Assembleia de Deus. Nesse período todos se uniram para orar pela recuperação da mãe e do bebê.

O esposo, o atendente de farmácia, Yuri Donin, 23 anos, contou ao Litoral na Rede que a angústia e os desafios enfrentados nesse período o transformaram como ser humano. “Eu aprendi a valorizar ainda mais a minha família. Foi amadurecimento espiritual muito grande, um amadurecimento como pai de família muito grande e uma valorização familiar enorme”, disse Yuri.

Emoção na saída do hospital

A alta de Josiane do Hospital de Tramandaí foi marcada por emoção. Amigos e familiares da pedagoga preparam uma surpresa. Com cartazes e músicas religiosas a receberam na porta da instituição, após o longo período de internação.

Em uma cadeira de rodas, ela saiu da UTI  junto com profissionais que a acompanharam durante o período em que esteve hospitalizada. Os primeiros abraços foram do marido Yuri, que levou flores, e do filho Emanuel.

“Não esperava sair com tamanha surpresa. Eu não tinha a dimensão da aflição que eles viveram aqui fora, eu não sabia o tamanho do milagre que Deus operou na minha vida, pois lá dentro os dias acordada após o tubo, foram dias intensos e cheios de amor e vitórias”, disse Josiane.

Ela também recorda bem a letra da música com a qual os amigos a receberam. “Hoje eu entendo a música que foi cantada na minha saída: aquilo que parecia impossível, aquilo que parecia não ter saída, aquilo que parecia ser minha morte, mas Jesus mudou minha sorte, sou um milagre e estou aqui”, lembrou.

Recuperação

Josiane ainda está se recuperando das sequelas causadas pela Covid-19 e pelo período intubada, enquanto a família aguarda pela chegada de Ester à sua casa. A pedagoga está com acompanhamento médico, de fisioterapeuta e fonoaudióloga.

Ela já faz planos para voltar ao trabalho em uma escola de Educação Infantil em Tramandaí. “Meus planos são viver cada dia pra glorificar ao meu Deus, pois ele operou um lindo milagre na minha vida, Cuidar da minha família, dos meus filhos e esposo”, projetou.

Leia a entrevista na íntegra

Litoral na Rede –  Quais foram os momentos mais difíceis enquanto você esteve hospitalizada?

Josiane – Os momentos mais difíceis que eu lembro foram antes de ir para UTI, onde estava na emergência, com muita febre e falta de ar. Febre que não baixada devido a pouca opção de medicamentos devido a estar com minha Ester na barriga. Mas Deus cuidou de tudo! Me carregou no colo o tempo todo. Eu lembro que sofri, mas não sinto o que vivi!

Litoral na Rede –     Como foi estar distante das pessoas que você ama durante todo esse período? Como foi a autuação dos profissionais do Hospital que cuidaram de você? O que você diria sobre eles e para eles?

Josiane – Lá dentro vivi algo sobrenatural da parte de Deus. Me sentia no colo dele. A saudade também foi algo que Deus cuidou. Quando acordei do tubo tinha muita vontade de ver a todos, meu filho Emanuel de 7 anos, meu esposo, todas as outras pessoas. Mas recebi tanto amor de todos os profissionais que me cuidaram, fui tão amada que os dias passaram e logo ganhei alta. Agradeço a Deus pela vida de cada um, todos os profissionais são anjos que Deus colocou naquele lugar pra cuidar e me dar amor.  Tenho a dizer o que disse lá dentro: Não desistam! Vocês são anjos de Deus! As pessoas precisam de vocês!

Litoral na Rede – Que recado você daria para as pessoas que ainda não estão se cuidando?

Josiane – Esse vírus não é brincadeira, eu sempre me cuidei, não me aglomerava, mantinha o distanciamento e peguei. Deus permitiu que eu pegasse o vírus, a todo tempo eu tinha ele comigo. O pegar o vírus foi um trabalhar dele na minha vida, uma experiência com ele.  Mas a minha consciência era tranquila, pois eu sempre me cuidei. Eu sabia que era permissão de Deus. Aqueles que ainda não se cuidam, infelizmente, que parem e pensem. Eu vi muita gente morrer, muita gente lá dentro saindo da cama do hospital indo pro saco preto. Pode ser você ou um de sua família. Acordem! É muito triste ver pessoas lutando pra viver em uma UTI e outras não dando valor a vida.

Litoral na Rede – Pode nos contar sobre toda a emoção que você viveu no dia que deixou o hospital? Como foi receber aquela surpresa de familiares e amigos?

Josiane – O sentimento que tinha me falta palavras pra descrever.  A emoção começou lá dentro, desde que a doutora Larissa, que cuidou de mim na UTI, me deu alta. Passei o dia emocionada, me despedindo dos meus “Anjos”. No domingo pedi para três técnicas, que criei um vínculo tão lindo, para que, se fosse ganhar alta mesmo na segunda, gostaria que elas carregassem minha cadeira.  E assim foi, duas estavam de folga, entraram na UTI com as roupas que meus familiares mandaram, me trocaram e as três me levaram, juntamente estava a doutora Larissa e outros técnicos e enfermeiros que me emocionaram com a presença deles. Não esperava sair com tamanha surpresa, pois como disse desde o início, Deus me guardou e me carregou no colo.  Eu não tinha dimensão da aflição que eles viveram aqui fora, eu não sabia o tamanho do milagre que Deus operou na minha vida, pois lá dentro os dias acordada após o tubo, foram dias intensos e cheios de amor e vitórias. Eu não sabia e nem imaginava dos constantes dias de orações pela minha vida e pela vida da minha Ester, onde houve uma multidão que orava e clamava pela minha cura, creio que foi através dessas orações que moveu o coração de Deus. Hoje eu entendo a música que foi cantada na minha saída “Aquilo que parecia impossível, aquilo que parecia não ter saída, aquilo que parecia ser minha morte, mas Jesus mudou minha sorte, sou um milagre e estou aqui”.

Litoral na Rede – Quais seus planos após superar a Covid?

Josiane – Meus planos são viver cada dia pra glorificar ao meu Deus. Pois ele operou um lindo milagre na minha vida. Não tenho outro sentimento a não ser uma gratidão indescritível ao meu Deus. Cuidar da minha família, dos meus filhos e esposo. E fazer a vontade de Deus, pois a ele é toda honra e toda Glória, a ele a minha vida pertence, pois eu sou um milagre operado por ele.

COMPARTILHAR