É Natal

O segredo começava bem antes do calor e das luzes da cidade darem o alerta amarelo para o convescote de Natal, festa excitante para muitos por vários e tantos motivos e que, para outros nem tanto, sendo um divisor de águas em muitas famílias. Esquecem os personagens do universo que tanto a felicidade incomparável, sempre lembrada, também para muitos o sofrimento se encontra na primeira fila das lembranças natalinas. É de bom tom pensar na possibilidade de os episódios não terem tido esta exata amplitude que tantos anos depois ainda se jogam nos corações e, deste jeito libertário, talvez seja conveniente reunir forças para deixar ir o que não serve mais, podendo esta ocasião, tão emocionada, cumprir seu destino de bálsamo curador para todas as dores: as adquiridas, as veladas, as vendidas ou as imaginadas.

O evento é universal e parece difícil não enxergar o contexto de união, os ventos favoráveis ao encontro, ao amor, às trocas familiares reais, as que ficaram na lembrança, as que nunca existiram ou, ainda, famílias adotadas, aliás, um remédio para os sofredores de plantão.

É sempre neste período que começam a cicatrizar as feridas que abrem e fecham constantemente durante o ano, gangrenando aqui e ali algumas almas perdidas, inflamando as veias do convívio, fazendo febre nos corpos mais sadios. Esta é a hora perfeita para tirar os panos quentes de cima dos acontecimentos – bons e maus – e celebrar a vida.

A ideia é de eliminar o supérfluo colocando os pés no chão como se fosse pela primeira vez, abrindo o coração singelo da criança em nós, cintilar o olhar com a tendência de seguir para o alto, para o infinito, para a morada de Deus, porque certamente é este o caminho perfeito para anunciarmos que o conforto das Festas chegou.

Nestes tempos, o ar que se respira expande, as ruas se iluminam com o brilho dos olhos das crianças, as cozinhas exalam aromas que nos remetem ao passado remoto, qualquer luzinha vermelha abre a imaginação para a festa, um laço de fita aguça a curiosidade do presente a receber ou a entregar, uma fatia de bolo se transforma em panettone pelo desejo de degustar e um simples galho de arvore sugere uma árvore de Natal. Deste modo singular se percebe que a magia está instalada e que não existe neste post a opção cancelar.

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