Leitos de UTI são bloqueados por falta de medicamentos no Hospital de Tramandaí

No Hospital de Osório, cinco dos dez leitos de terapia intensiva já estão fora de operação pelo mesmo motivo

Foto: Hospital de Tramandaí / Arquivo

A direção da Fundação Hospitalar Getúlio Vargas (FGHV), gestora do Hospital de Tramandaí, informou nesta terça-feira (14) que bloqueará leitos de UTI da instituição. O motivo é a superlotação e a escassez de medicamentos essenciais, sobretudo para a manutenção de pacientes intubados e em ventilação mecânica.

Na prática, como as unidades estão lotadas, a partir da alta dos pacientes, os leitos ficarão automaticamente bloqueados.Conforme a FHGV, a decisão foi oficializada para as secretarias de Saúde dos municípios e do Estado e tem duração indeterminada, até a recuperação do estoque dos remédios.

Segundo o diretor geral da Fundação, Gilberto Barcihello, “sedativos e outros medicamentos necessários para o tratamento dos pacientes, para elevar a pressão e garantir a segurança da internação estão escassos e por isso não temos como receber novas internações, pois precisamos garantir a vida dos que já estão internados”.

O diretor acrescenta que a medida também foi tomada para a segurança dos profissionais dos hospitais. Um novo carregamento de medicamentos está previsto para chegar na quarta-feira, dia 15 de julho. “A partir desta remessa, vamos avaliar conforme o quadro se apresentar”, diz Barichello.

O Hospital de Tramandaí é o segundo do Litoral Norte que bloqueia leitos de terapia intensiva devido à falta de medicamentos.  No Hospital São Vicente de Paulo, em Osório, cinco das 10 vagas na UTI estão fora de operação pelo mesmo problema. Na instituição, os bloqueios iniciaram no dia 5 de julho.  A situação se repete em outros hospitais do Rio Grande do Sul.

Governo do RS tenta solucionar a falta de medicamentos

A secretária Arita Bergmann e diretores da Secretaria da Saúde (SES) participaram, nessa segunda-feira (13), de uma videoconferência da Comissão da Câmara de Deputados para o enfrentamento à Covid-19, que contou também com a presença do Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, da bancada federal gaúcha e de deputados estaduais.

“Nossa maior preocupação neste momento é resolver o desabastecimento de remédios necessários à intubação dos pacientes mais graves da Covid-19”, falou Arita. “Estruturamos a rede assistencial do Estado para que os gaúchos tenham todo o cuidado necessário para enfrentar e se recuperar da doença, mas não conseguiremos vencer o coronavírus sem esses medicamentos”, completou, pedindo o auxílio das representações políticas em Brasília.

O Ministério não acenou com uma data para o envio dos medicamentos ao Estado. Em paralelo, está em andamento uma compra internacional dos remédios junto ao Ministério da Saúde Pública do Uruguai.

A secretária Arita agradeceu o apoio do Ministério da Saúde e dos parlamentares por auxiliarem o Estado a passar por esse período de epidemia, através de recursos financeiros, habilitação de leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e envios de respiradores, entre outras ações. O Ministro Pazuello prometeu visitar o Rio Grande do Sul nas próximas semanas, para auxiliar pessoalmente nas dificuldades demandadas pela epidemia da Covid-19.

O presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes, Filantrópicos e Religiosos do RS, André Lagemann, falou que é muito positiva a iniciativa do Governo do Estado em auxiliar os hospitais a realizarem a compra desses medicamentos, que são de responsabilidade de aquisição dos próprios hospitais. “Temos uma grande parceria com a Secretaria da Saúde”, elogiou.

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