Orgulho de ser gaúcho

O orgulho de ser gaúcho possui características tão fortes e arraigadas, aliás, como tudo o que se refere aos hábitos da gauchada que nasce tão tradicionalista que já sai falando alto e não precisa de muito para iniciar acalorados debates quando o assunto vem metido em dois lados, parecendo que não existe tempo ameno nas opiniões, sempre é o extremo.

O espirito cívico se exacerba quando se impõe datas comemorativas sobre a história do estado e junto a esse caudal de eventos, tudo acaba se misturando e entra no jogo todas as paixões deste povo que pisa com dureza, que defende tudo com extremismo, que não reza para todos os santos, mas apenas para o seu. Claro, aquele que é de preferência e deste jeito as ideias vão se acumulando e se espalhando entre todos sempre com aquele tom de disputa vitoriosa.

São muitos os modos de firmar o amor pelo território do sul começando pela Cavalgada do Mar organizada todos os anos por piquetes de toda a parte desfilando pela extensão da nossa costa alargada sem percalços, passando por inúmeras praias, desde as mais famosas até pequenos povoados. As famílias vão se acomodando reverentemente na beira do mar para vê-los passar, engalanados, vestidos como manda o figurino dos pampas, com seus cavalos bem cuidados e selas impecáveis desfilando com empáfia suas lutas.

Onde há um CTG pode contar certo com uma programação intensa da preferência deste povo que segue ardorosamente as características de orgulho e luta pela história. Faz parte das celebrações o cardápio que, tal como o brio do povo, nada possui de mais ou menos, sendo tudo elevado ao quadrado dos excessos desfilando em todas as casas a carne gorda, arroz de carreteiro, espinhaço de ovelha, roupa velha, mandioca, pinhão, tudo muito bem aproveitado para que as pessoas se regalem em suas festas comemorativas.

Para os lados onde o mar encontra a mata seguem alvorotados todos os segmentos para que não escape de jeito nenhum a comemoração tradicionalista que tem na rotina diária do gaúcho uma ponta de tudo o que esta gente incorpora como sendo sua alma, a começar pelo chimarrão, hábito que transmite sempre o sentido de se cercar de muitos, de coçar o fio do bigode, de prosear, de alargar a roda e fazer com que solte-se o verbo por onde passa o tal do mate amargo.

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