Perícia encontra DNA do menino Miguel em mala apreendida pela Polícia

Segundo a Polícia e o Ministério Público, bolsa de viagem foi utilizada pela mãe e a madrasta para transportar o corpo do garoto até o Rio Tramandaí; buscas ao corpo da criança duram 47 dias

Mala onde, segundo a Polícia e o Ministério Público, o corpo de Miguel foi transportado até o Rio Tramandaí. Foto: Polícia Civil

A Delegacia de Imbé e o Instituto-Geral de Perícias (IGP) informaram, nesta segunda-feira (13), o resultado da perícia realizada na bolsa de viagem que, segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, foi utilizada para transportar o corpo do menino Miguel Rodrigues, de 7 anos, até o Rio Tramandaí. O laudo apontou que havia DNA da vítima na mala que foi apreendida pela Polícia.

A análise foi realizada por peritos do Departamento de Perícias Laboratoriais do IGP.  Para chegar ao resultado, eles comparam o material genético obtido na mala com o de uma camiseta infantil vermelha. Exames anteriores, feitos pelo IGP, já haviam comprovado que o sangue na roupa pertencia a um filho biológico de Yasmin Vaz dos Santos Rodrigues, de 26 anos, mãe de Miguel.

Yasmin e a sua companheira Bruna Nathiele Porto da Rosa, de 23, estão presas preventivamente.  O Ministério Público apresentou denúncia contra as duas mulheres no dia 16 agosto, por tortura, homicídio e ocultação de cadáver do garoto. Segundo a investigação, elas usaram a bolsa para levar o corpo da criança e jogá-lo no Rio Tramandaí.

A Polícia obteve imagens de câmeras de segurança que mostram as duas mulheres caminhando entre a pousada onde moravam com o menino, no Centro de Imbé, a beira do rio. Yasmin carregava a mala.

Para o delegado Antônio Carlos Ractz Jr., o novo laudo pericial confirma a conclusão da investigação. “A vítima foi efetivamente transportada no interior da mala em questão”, disse o delegado.

A bolsa de viagem foi encontrada pelos policiais em uma lixeira na noite de 29 de julho, após a mãe de Miguel procurar a Delegacia de Pronto Atendimento de Tramandaí para registrar o desaparecimento do filho e acabar confessado ter matado o menino e jogado o corpo no rio.

O IGP informou que a mala passará por uma nova perícia. “O objetivo é saber se uma criança do porte da vítima caberia na mala”, diz o Instituto em nota.

47 dias de buscas

Buscas são realizadas há 47 dias. Foto: CBMRS / Arquivo

O Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul chegou nesta segunda-feira ao 47º dia de buscas ao corpo do menino Miguel. Após esgotar todas as possibilidades de localização no Rio Tramandaí e em lagoas do estuário, os bombeiros passaram a concentrar o trabalho na orla.

Diariamente, equipes dos pelotões de Tramandaí, Cidreira, Capão da Canoa e Torres atuam na beira da praia em toda a extensão do Litoral Norte do Rio Grande do Sul. O comandante dos bombeiros de Tramandaí, tenente Elísio Lucrécio, que coordena as buscas, disse que aguarda informações para definir quais serão os próximos passos.

Já o delegado Antônio Carlos Ractz Jr., disse que não há mais razões técnicas para persistirem as buscas. “Segundo a experiência, o corpo, em razão do decurso do tempo, não seria mais localizado em nosso litoral. Já mantive contato com o CBM sobre o assunto”, afirmou.

Investigação

Yasmin está presa desde a noite de 29 de julho quando confessou o crime à Polícia. Bruna foi presa temporariamente em 1º de agosto e teve a prisão convertida em preventiva no dia 26 do mês passado.

A investigação apurou que Miguel era vítima de maus-tratos, sendo trancado em um armário e em um poço de luz, como confirma um vídeo gravado pela madrasta enquanto faz ameaças à criança. Em um caderno, o garoto era obrigado a escrever frases ofensivas a ele mesmo.

O menino Miguel, de 7 anos.

A Polícia também identificou indícios de que as duas mulheres planejavam ter um filho juntas. Uma lista de clínicas de reprodução humana foi encontrada na residência onde elas moravam.

Em conteúdos extraídos dos telefones celulares da mãe e da madrasta, os investigadores descobriram, por exemplo, que Yasmin realizou pesquisas sobre impressões digitais na água e em objetos antes de procurar a Polícia para registrar o suposto desaparecimento do menino.

Os advogados de Yasmin e Bruna afirmam que elas são inocentes.

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